segunda-feira, 20 de abril de 2009
- "Apresentação da Noite" Al Berto -
- resta-nos adormecer onde eclode a borboleta
e balbuciar dentro do sonho as palavras que nunca ousaremos dizer
- fumamos com a obsessão de um rio a desaguar no amanhecer
a tua sombra olha-me e eu vejo o límpido fundo dos meus olhos
procurávamos nossos corpos no reflexo um do outro
(pausa)
- amolecidos corpos fissuram-se
explodem
a cidade ecoa noite adiante esse grito
- os movimentos são expiados através dum espelho
e nada sabemos acerca daquele mar
nem das máscaras com que disfarçámos o remorso
nada sabemos sobre o ciúme
apenas estamos aqui e sufocamos
- pesa-nos no peito um resíduo de cidade
no entanto sabemos que não há mais tempo para nos olharmos
a fuga só é possível para o interior de nós mesmos
e um dia
quem sabe? chegaremos
ao princípio da memória
(pausa)
- é noite
logo
a primeira sensação da manhã será feita de aves
- um cigarro
um cigarro vai certamente acalmar-me
- lentamente os dedos aperfeiçoaram esta arte de estarem quietos
sussurrantes sobre os corpos não a deslizarem
não a percorrerem os lugares antigos onde o desejo pulsa
as mãos redescobriram o silêncio
praticam essa arte muito antiga de na imobilidade tudo desejarem
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al berto. o meu poeta. um pouco da minha alma sempre nos poemas dele.
ResponderEliminar"- é noite
- dentro do meu coração de papel
- é noite
- dissolve-se um desastre um inesperado suicídio
- é noite por cima do mar redondo
- é noite
- em redor da memória que me dá sede
- é noite
- calemo-nos um momento
- calemo-nos..."
beijo querida *
susana | zusharah